Entrou no palco pela diagonal esquerda com uma rosa no cabelo e me olhou enviesado, morri.
Nem reparei quando ela escorregou na pirueta a la second, quem viu?
Eu só reparei naquela menina com uma flor no cabelo, a Rosalva. Nela e no Don mais digno da noite, que amparava a Rosalva como um toureiro ao contrário.
Eu fiquei pensando na Rosalva se abanando com o leque. A rosa no cabelo, o leque incessante na mão direita enquanto as pernas brincavam do balé esquisito que é Dom Quixote. Eu pensei que talvez o Vinicius tenha visto a Rosalva dançar em alguma taverna de Granada e tenha escrito o poema da menina com uma flor entre as mãos por engano, de perturbado que deve ter ficado.
Uns dias depois veio dizer que se chamava era Luciana. Dançou um Pas classique sem rosa, sem charme, sem leque, sem Juan, sem me olhar nos olhos. E saiu de ombros levantados e pescoço perdido. Tão sem graça quanto Luciana.
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
nu artístico
Sabe, Alfredo, eu nunca tinha sentido isso antes, eu ando te amando tão loucamente, tão de-ses-pe-ra-da-men-te!
Eu ando sentindo uma vontade, que de tanta vontade dizem que é craving, de ter um filho seu crescendo dentro de mim. É a sensação mais estranha do mundo, Alfredo.
Mas é que você é lindo, Alfredo. Você e esses seus cílios curvados, você e esses seus pés curvados, Alfredo essa sua boca indecente de linda demais, esse seu jeito de vir, Alfredo, que faz a rua inteira levitar, tudo isso tem que ficar aqui, mesmo quando você for embora.
É tão melhor com você Alfredo, tão mais bonito. Escreve em mim seus genes, eu quero uma tatuagem de amor no útero, escreve Alfredo? Pra gente publicar aqui no mundo pra sempre porque o que vai ser do mundo se não tiver você, me diz Alfredo?
Eu quero ser a mãe da sua filha, Alfredo. Uma mãe de Atenas, Alfredo, daquelas que são só terra assim, eu não quero fundir minha escrita com a sua, misturar os genes. Eu sou a terra pra você plantar, Alfredo. Eu quero que uma partezinha sua cresça dentro de mim, uma partezinha sua vai conhecer meu avesso.
Viu Alfredo? O nosso amor não é oco. Eu quero amamentar nossa filha, alimentar sua eternidade Alfredo.
E também quero que você acorde com aquela carinha tooda inchada de sono, pra buscar sushi de atum com mel de madrugada.
Eu ando sentindo uma vontade, que de tanta vontade dizem que é craving, de ter um filho seu crescendo dentro de mim. É a sensação mais estranha do mundo, Alfredo.
Mas é que você é lindo, Alfredo. Você e esses seus cílios curvados, você e esses seus pés curvados, Alfredo essa sua boca indecente de linda demais, esse seu jeito de vir, Alfredo, que faz a rua inteira levitar, tudo isso tem que ficar aqui, mesmo quando você for embora.
É tão melhor com você Alfredo, tão mais bonito. Escreve em mim seus genes, eu quero uma tatuagem de amor no útero, escreve Alfredo? Pra gente publicar aqui no mundo pra sempre porque o que vai ser do mundo se não tiver você, me diz Alfredo?
Eu quero ser a mãe da sua filha, Alfredo. Uma mãe de Atenas, Alfredo, daquelas que são só terra assim, eu não quero fundir minha escrita com a sua, misturar os genes. Eu sou a terra pra você plantar, Alfredo. Eu quero que uma partezinha sua cresça dentro de mim, uma partezinha sua vai conhecer meu avesso.
Viu Alfredo? O nosso amor não é oco. Eu quero amamentar nossa filha, alimentar sua eternidade Alfredo.
E também quero que você acorde com aquela carinha tooda inchada de sono, pra buscar sushi de atum com mel de madrugada.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
helga huelga
Minha mãe comprou um leite novo na semana passada. Fabricado no Paraguai.
Leche. E cada vez que eu batia o olho no leche a saudade batia em mim, Helga.
Você pediu pra me dar colo, saudades da hija que nunca veio. Eu assustei de felicidade com o tamanho da correspondência. Nem sangue, nem línga, nem pátria. Eu coube na filha, você coube na mãe, mesmo número. let it be
-me cago en la leche, você dizia de hora em hora pra dizer que não ligava. e abria o leque.
Hoje eu acordei e não tinha mais leche. Saudade ainda tinha, Helga Huelga. ainda tem.
Leche. E cada vez que eu batia o olho no leche a saudade batia em mim, Helga.
Você pediu pra me dar colo, saudades da hija que nunca veio. Eu assustei de felicidade com o tamanho da correspondência. Nem sangue, nem línga, nem pátria. Eu coube na filha, você coube na mãe, mesmo número. let it be
-me cago en la leche, você dizia de hora em hora pra dizer que não ligava. e abria o leque.
Hoje eu acordei e não tinha mais leche. Saudade ainda tinha, Helga Huelga. ainda tem.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
andreas
Andreas embalava o sono da filha entre a feitura de uma pulseira e outra. Não me puxou pelo braço, não desfilava, acho que não tomava banho todos os dias, por supuesto.
-Pulseira dos reales!
Não tenho. O vento frio e a chuva eram cordas me puxando pelo umbigo, esse bicho que mora em mim queria aninhar nos braços o montinho de pano que respirava dentro do carrinho, força umbilical.
-Puedo me quedar con esa?
Me sorriu daqueles cheios de significação, eu imaginei o que aqueles olhos que viajaram a pé do Chile hasta aqui saberían.
-Un deseo
Eu só não queria a falta. E que sua filha sempre tivesse um ninho.
Nó de laços.
-Hasta. Suerte, amigo!
-Pulseira dos reales!
Não tenho. O vento frio e a chuva eram cordas me puxando pelo umbigo, esse bicho que mora em mim queria aninhar nos braços o montinho de pano que respirava dentro do carrinho, força umbilical.
-Puedo me quedar con esa?
Me sorriu daqueles cheios de significação, eu imaginei o que aqueles olhos que viajaram a pé do Chile hasta aqui saberían.
-Un deseo
Eu só não queria a falta. E que sua filha sempre tivesse um ninho.
Nó de laços.
-Hasta. Suerte, amigo!
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