estamos indo de volta pra casa.
não era assim?
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domingo, 1 de agosto de 2010
terça-feira, 4 de agosto de 2009
sim
- Eu tenho que te dizer que, infelizmente, o diabo existe sim. O mal existe sim.
E me olhou fixamente nos olhos, como quem pergunta. E me contou que a casa dele foi invadida pelo demônio um dia, que ele passou um apuro danado até que veio um anjo bem menos safado do que os anjos que eu conheço, sacou a espada e venceu todo o mal dali.
- Olha, tudo bem, eu não duvido não.
- Você deve tá achando que eu tava drogado né, mas eu não tava drogado.
Eu não sei, amigo, não sei. Eu tenho pra mim que acreditar é coisa de arrepio, não dá pra dizer que acredito só porque acho possível.
É que me fizeram debaixo de estrelas de touro e libra, aí fiquei assim terrena. Mas eu não duvido não. De quase nada.
Talvez nesses meus dias aqui eu veja fouetés triplos seguidos de piruetas a la second tudo na ponta como se fosse mágica e se eu arrepiar vou ter que acreditar que existe mesmo. Talvez eu alongue meu senso de crença quando vir a música de Tchaikovsky tocada pelos pés mais leves e espertos do mundo, com selo de um promenade paranormal. Como talvez você tenha visto o diabo mesmo
e talvez seja uma pena que o seu exercício de crença no quase impossível tenha tido que ser esse, mas talvez da próxima vez te deixem escolher e por aqui eles devem ter bastante coisa, aqueles mini-bailarinos, 12 anos e um pas-des-deux do Quebra Nozes bem inacreditável.
Eu só sei que agora, com seis malas, colchonete, travesseiro e girafa de pelúcia do meu lado, conversando com você sobre o bem e o mal eu só posso acreditar, amigo, em Folhetim.
E me olhou fixamente nos olhos, como quem pergunta. E me contou que a casa dele foi invadida pelo demônio um dia, que ele passou um apuro danado até que veio um anjo bem menos safado do que os anjos que eu conheço, sacou a espada e venceu todo o mal dali.
- Olha, tudo bem, eu não duvido não.
- Você deve tá achando que eu tava drogado né, mas eu não tava drogado.
Eu não sei, amigo, não sei. Eu tenho pra mim que acreditar é coisa de arrepio, não dá pra dizer que acredito só porque acho possível.
É que me fizeram debaixo de estrelas de touro e libra, aí fiquei assim terrena. Mas eu não duvido não. De quase nada.
Talvez nesses meus dias aqui eu veja fouetés triplos seguidos de piruetas a la second tudo na ponta como se fosse mágica e se eu arrepiar vou ter que acreditar que existe mesmo. Talvez eu alongue meu senso de crença quando vir a música de Tchaikovsky tocada pelos pés mais leves e espertos do mundo, com selo de um promenade paranormal. Como talvez você tenha visto o diabo mesmo
e talvez seja uma pena que o seu exercício de crença no quase impossível tenha tido que ser esse, mas talvez da próxima vez te deixem escolher e por aqui eles devem ter bastante coisa, aqueles mini-bailarinos, 12 anos e um pas-des-deux do Quebra Nozes bem inacreditável.
Eu só sei que agora, com seis malas, colchonete, travesseiro e girafa de pelúcia do meu lado, conversando com você sobre o bem e o mal eu só posso acreditar, amigo, em Folhetim.
terça-feira, 28 de julho de 2009
rosalva
Entrou no palco pela diagonal esquerda com uma rosa no cabelo e me olhou enviesado, morri.
Nem reparei quando ela escorregou na pirueta a la second, quem viu?
Eu só reparei naquela menina com uma flor no cabelo, a Rosalva. Nela e no Don mais digno da noite, que amparava a Rosalva como um toureiro ao contrário.
Eu fiquei pensando na Rosalva se abanando com o leque. A rosa no cabelo, o leque incessante na mão direita enquanto as pernas brincavam do balé esquisito que é Dom Quixote. Eu pensei que talvez o Vinicius tenha visto a Rosalva dançar em alguma taverna de Granada e tenha escrito o poema da menina com uma flor entre as mãos por engano, de perturbado que deve ter ficado.
Uns dias depois veio dizer que se chamava era Luciana. Dançou um Pas classique sem rosa, sem charme, sem leque, sem Juan, sem me olhar nos olhos. E saiu de ombros levantados e pescoço perdido. Tão sem graça quanto Luciana.
Nem reparei quando ela escorregou na pirueta a la second, quem viu?
Eu só reparei naquela menina com uma flor no cabelo, a Rosalva. Nela e no Don mais digno da noite, que amparava a Rosalva como um toureiro ao contrário.
Eu fiquei pensando na Rosalva se abanando com o leque. A rosa no cabelo, o leque incessante na mão direita enquanto as pernas brincavam do balé esquisito que é Dom Quixote. Eu pensei que talvez o Vinicius tenha visto a Rosalva dançar em alguma taverna de Granada e tenha escrito o poema da menina com uma flor entre as mãos por engano, de perturbado que deve ter ficado.
Uns dias depois veio dizer que se chamava era Luciana. Dançou um Pas classique sem rosa, sem charme, sem leque, sem Juan, sem me olhar nos olhos. E saiu de ombros levantados e pescoço perdido. Tão sem graça quanto Luciana.
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