domingo, 1 de junho de 2014
eu que não amo você
Eu me atrapalho com as pausas e respirações. Pula uma vírgula naquela frase e o que eu penso soa como música no mau sentido, disco riscado.
Eu nunca tenho certeza, tô vendo ponto de interrogação onde não tem?
Eu, que sou blasé demais pra entender a dinâmica dos pontos de exclamação.
Eu ponto. E vírgula,
Eu, que ainda tropeço em erros primários...
Coloco reticências onde só cabe um ponto afinal.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
D 007
Um menino sapateou com o sol nos pés. Gente que era pequena, agora é grande e faz até pirueta. Voz rouca, dança com força de jazz. A grande pequena bailarina que eu sempre amei ver em cena. Bailarinas completas, lindas no palco de flor na cabeça, Rosalvas.
Entre tantas coisas lindas, meus olhos gostaram tanto de ver você quando apareceu discretamente no canto do palco.. Enxergamos o suspiro de concentração nos seus olhos antes da música te fazer flutuar. Seus pés riscando o palco, você segurando a música nas mãos, brincando com a gente nos contratempos entre os pas-des-burrés. Você abraçando o mundo com seus braços imensos, que dançar é abraçar o invisível. Você varrendo os males do mundo pra bem longe com seus piqués incansáveis, a quinta fechadinha. Olhando pro alto pra enxergar o balance com esses seus olhos grandes. Você sozinha, mas tão amparada, enchendo o palco inteiro de você mesma. Você enchendo a platéia com a sua graça indizível. Tão leve, tão leve, tão doce de olhar, indelével.
Depois de flor no cabelo como as outras, os pés esticados, saltos precisos. A dona do palco. Girando em diagonal, tão rápido, tão rápido enquanto o maestro invisível sorri pra orquestra e eu também já não posso segurar meu sorriso. Eu e meus olhos satisfeitos, te olhando pela segunda vez com a sensação de que se você dançasse assim mais mil vezes, a gente estaria lá de novo porque, embora o mundo gire tão rápido quanto você marca sua cabeça agora, algumas coisas nunca mudam.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Ideologia
Sabe, alguns amores são romanos. É por isso que Paula nunca vai perder a altivez de escrava de guerra.
- Não é frescura romântica, é pura política. Nunca ouviu a música? O meu partido é o coração partido..
sábado, 21 de maio de 2011
É eu preciso dizer
domingo, 17 de abril de 2011
Eu sou a musa, digo, música
quinta-feira, 3 de junho de 2010
espelho

Drica era miúda também, gostava de fivelas também, como qualquer outra. Podia ser bonita sim, se se mudassem os padrões de beleza do mundo. Drica era uma pintura e estava na sala errada. Não era uma bailarina de Degas cheia de graça. Não era uma escultura grega que se a gente girasse num eixo permaneceria na mesma posição, por séculos. Drica não era um corpo do Livro.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
aqueimar
Vinha da mochila de um menino de uns 13 anos o meu vale-transporte. Era um celular que tocava rap bem alto. Aquela batida gelada, seca. Se o rap se materializasse eu tenho certeza que viraria aquilo, o lugar de tanto concreto e ferro, de palavras perdidas. Onde não existem nomes, só iniciais.
E inicial é o que mais me desespera, depois da inicial como é que termina, seu moço?
Durou pouco mais de quatro minutos a minha viagem àquela Terra do Nunca ao contrário.
O ponto na frente do Shopping ainda tava ali, o ballet ainda era umas cinco quadras pra cima. Nada é fácil de entender.
domingo, 9 de agosto de 2009
dois pontos
meus dentes, meus da menina que cai, parece que tiveram que fazer altas acrobacias pra encontrar o eixo.
esses dias fiquei sisuda, minha boca tinha ganhado mais quatro e teve que se virar, se torcer, dar espaço pras raízes em x mais tortas e profundas do que deviam ser.
o balance mais esquisito do mundo.
sábado, 30 de maio de 2009
andreas
-Pulseira dos reales!
Não tenho. O vento frio e a chuva eram cordas me puxando pelo umbigo, esse bicho que mora em mim queria aninhar nos braços o montinho de pano que respirava dentro do carrinho, força umbilical.
-Puedo me quedar con esa?
Me sorriu daqueles cheios de significação, eu imaginei o que aqueles olhos que viajaram a pé do Chile hasta aqui saberían.
-Un deseo
Eu só não queria a falta. E que sua filha sempre tivesse um ninho.
Nó de laços.
-Hasta. Suerte, amigo!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Desci a escada do seis, a escada docêis, que zomba de mim sempre que eu passo, fazendo piada das minhas pernas curtas, querendo brincar de esteira quando não é hora, oras. Eu ás vezes tropeço num dos gravetos que ela coloca secretamente nos degraus pra derrubar a gente por causa daquele sonho brega de ser escada rolante.
Daí eu lembro que tem isso também da escada além de tudo. é, tem isso da escada.. e dependendo do dia eu rio, ou mareio.