quinta-feira, 3 de junho de 2010

espelho


Drica era miúda também, gostava de fivelas também, como qualquer outra. Podia ser bonita sim, se se mudassem os padrões de beleza do mundo. Drica era uma pintura e estava na sala errada. Não era uma bailarina de Degas cheia de graça. Não era uma escultura grega que se a gente girasse num eixo permaneceria na mesma posição, por séculos. Drica não era um corpo do Livro.
Era uma mulher de Picasso, bunda de um lado, peito de outro, cabeça fora. Drica jamais conseguiria ser um bloco de concreto. Concreto era bem longe dela. Drica jamais seria reta, jamais contínua. Drica era uma mulher de Picasso, entendam, de Picasso.
(Sim, cubista. E nada concreto. Martelo com malemolência, você sabe, sempre soube.
E me perdoe se o quadradismo dos meus versos vai de encontro aos intelectos. Mas você abusou.)

5 comentários:

Paulo disse...

adoro todos os seus posts hehe
e gosto muito dessa música, me faz lembrar do Projeto, simplesmente a coisa que eu mais amo nesse mundo!
e a gente já dançou no Dança Campo Grande

e aí vai pra Joinville ?


/ paulo henrique

Rodrigo disse...

Mas a mulher dele não era a Guernica?!

Babi S. disse...

esse negócio de não ser reta e contínua é qualidade bruta!

Ana Deffense disse...

Os estereótipos maltratam..

Rozanna disse...

Lindo e terno!(H)