segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
abóbora
Foi quando eu te vi sentada entre as outras, mãos em cima da perna, cachecol branco, brincos e colares combinando, o cabelo preso destacando o pescoço longo. Impressionante o jeito como você tá sempre altiva, se jogada no sofá, se esperando o ônibus no fim da tarde, sua postura tem essa elegância que não descansa.
Foi quando eu te vi sentada entre as outras e eu acho um barato o jeito como você conversa, conta como se conta um conto. Foi quando eu te vi sentada entre as outras e você não se camufla, você e outras quinze, vinte. você puxa meus olhos sem querer, com mais força que as vinte, trinta, e eu fico assim pendendo pro lado esquerdo.
Foi quando eu te vi entre as outras que eu não via. Foi que meus olhos se estrelaram que nem em desenho animado pela 736746123 vez desde que eu te conheci. Foi aí que eu entendi que nunca ia me acostumar. Que toda vez que eu te visse ia sorrir sorriso de setenta borboletas voando dentro do meu estômago.
É então que vem a sala de espera. E eu sei das regras da sala de espera.
É que a gente precisa ter o cuidado de atravessar a história pela margem, se pular de um parágrafo pro outro periga cair e eu cavaleiro sem armadura e você, como é que faz?
É que a gente precisa parar antes do abraço, recolher as folhas. Pra não abraçar feito espantalho que abre os braços só pra espantar os pássaros, como a Rita disse.
É que vem a madrugada e eu cinderelo, viro a abóbora. Mas eu precisava era aprender o silêncio, ser flor.
Foi quando eu te vi sentada entre as outras e eu acho um barato o jeito como você conversa, conta como se conta um conto. Foi quando eu te vi sentada entre as outras e você não se camufla, você e outras quinze, vinte. você puxa meus olhos sem querer, com mais força que as vinte, trinta, e eu fico assim pendendo pro lado esquerdo.
Foi quando eu te vi entre as outras que eu não via. Foi que meus olhos se estrelaram que nem em desenho animado pela 736746123 vez desde que eu te conheci. Foi aí que eu entendi que nunca ia me acostumar. Que toda vez que eu te visse ia sorrir sorriso de setenta borboletas voando dentro do meu estômago.
É então que vem a sala de espera. E eu sei das regras da sala de espera.
É que a gente precisa ter o cuidado de atravessar a história pela margem, se pular de um parágrafo pro outro periga cair e eu cavaleiro sem armadura e você, como é que faz?
É que a gente precisa parar antes do abraço, recolher as folhas. Pra não abraçar feito espantalho que abre os braços só pra espantar os pássaros, como a Rita disse.
É que vem a madrugada e eu cinderelo, viro a abóbora. Mas eu precisava era aprender o silêncio, ser flor.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
curto circuito
Chuvisco arrumou sua trouxa e partiu de madrugada. Pegou carona com uma comitiva de cantores. Enfrentou os raios e relâmpagos de uma tempestade que se formou na estrada. Chegou. Tomou um copo de café na padaria da cidade. Pediu autógrafo de árvore famosa. Rodou pela cidade em busca dos artistas que dançavam na ponta dos pés. Encontrou pouso. Fez repouso.Andou nas margens do Taquari. Ajudou nos preparativos da festa. Riu um pouco dos exageros no palco. Virou do avesso com a beleza das danças que viu, com a beleza da espera de uma das bailarinas na beira da coxia inventada, com a beleza do ritmo que os pares de tênis levaram pro show. Tomou bebida viva e borbulhante, daquelas que se fazem de formiga dentro da boca. Assistiu à prova de montaria, oito segundos num colchão na vertical. Lutou contra baratas. Matou pernilongos. Se afogou no Taquari. Riu da vida. Tirou retrato.
E quando dormiu sonhou com os olhos da amada. Aqueles olhos castanhos de amêndoa da amada. Tão distantes, tão distantes, tão distantes. A meio metro dos seus.
E quando dormiu sonhou com os olhos da amada. Aqueles olhos castanhos de amêndoa da amada. Tão distantes, tão distantes, tão distantes. A meio metro dos seus.
sábado, 12 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
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