sábado, 19 de setembro de 2009

abóbora

Foi quando eu te vi sentada entre as outras, mãos em cima da perna, cachecol branco, brincos e colares combinando, o cabelo preso destacando o pescoço longo. Impressionante o jeito como você tá sempre altiva, se jogada no sofá, se esperando o ônibus no fim da tarde, sua postura tem essa elegância que não descansa.
Foi quando eu te vi sentada entre as outras e eu acho um barato o jeito como você conversa, conta como se conta um conto. Foi quando eu te vi sentada entre as outras e você não se camufla, você e outras quinze, vinte. você puxa meus olhos sem querer, com mais força que as vinte, trinta, e eu fico assim pendendo pro lado esquerdo.
Foi quando eu te vi entre as outras que eu não via. Foi que meus olhos se estrelaram que nem em desenho animado pela 736746123 vez desde que eu te conheci. Foi aí que eu entendi que nunca ia me acostumar. Que toda vez que eu te visse ia sorrir sorriso de setenta borboletas voando dentro do meu estômago.

É então que vem a sala de espera. E eu sei das regras da sala de espera.
É que a gente precisa ter o cuidado de atravessar a história pela margem, se pular de um parágrafo pro outro periga cair e eu cavaleiro sem armadura e você, como é que faz?
É que a gente precisa parar antes do abraço, recolher as folhas. Pra não abraçar feito espantalho que abre os braços só pra espantar os pássaros, como a Rita disse.

É que vem a madrugada e eu cinderelo, viro a abóbora. Mas eu precisava era aprender o silêncio, ser flor.

Um comentário:

Peh disse...

eu só tenho uma coisa pra fala: - fuma fuma fuma, folha de bananera. Fuma na boa só de brincadera.

aheuhauehuaehueh nada a vê!!