sexta-feira, 14 de setembro de 2012

fica guardado aqui





Sei lá o que a gente encontra quando morre e entre todas as possibilidades acho pouco provável que tenha facebook por lá, mas mesmo assim vou mandar recado hoje. =P Um adeus pra um professor querido. Eu não curto despedidas, mas esse adeus é um tipo de suspiro e um tipo de desejo. 'Ah, deus! Puta falta de sacanagem levar essa cara.' e 'a deus pra cuidar com muito carinho'. Sei lá se tem deus, mas enfim. O que eu sei é que carinho era o sobrenome desse cara que é um dos melhores jornalistas que eu conheci e que cuidou de muitos alunos. Cuidou com carinho. Eu mesma nos meus dias de flor sensível fui regada com a meia gota d'água de dúvida com ternura que ele derramava na gente. 

Me disse pra fazer o tcc sobre cultura quando eu estava indecisa entre cultura e violência, não mal interprete o conselho. Ele me conhecia muito, mesmo com pouco contato, e me disse que eu seria boa jornalista de qualquer forma e que precisava ser feliz também, não precisava carregar o mundo nas costas.' - Ou não?'. 

Meu adeus pra você com esse seu sorriso de sempre e com Hey Jude, que seus conselhos sempre me lembraram essa música, professor. Vai tranquilo, Mario Ramires. http://www.youtube.com/watch?v=CfTrthOpKCA

sábado, 5 de maio de 2012

pra te lembrar


Cirando bem cirandinho.
cirando bem devagar
vou meia, mas volto inteira
que é pro tempo não pegar

visto anéis de vidro invisíveis
carrego primavera nos bolsos
mas se o amor acabar

faço o favor de entrar na roda
digo um verso bem bonito
digo
-adeus.

e vou-me embora.

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escrevi isso há umas décadas, quando a gente usava orkut e esbarrava no 'quem sou eu' de vez em quando.. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ilha

É tão bobo quanto bonito, sabe? Algumas pessoas passam pela gente e colocam palavras nos nossos dedos, músicas nas nossas gargantas, dança no nosso corpo, sorriso besta na nossa cara de besta. Não que antes a gente não tivesse poesia escrita nas linhas da mão, música nas cordas bambas, dança latejando e cara de bobo. Tudo isso nasceu com a gente por causa da angulação dos planetas, mas fica quietinho do lado de dentro. E se alguém passa e seu coração acelera, esse aumento da velocidade dos batimentos cardíacos faz sair música onde era silêncio, ponto de exclamação onde era dança, sorriso onde era só cara besta. É cientificamente comprovado. É tão cardíaco quanto um ataque, sabe? Um ataque pro qual não existe defesa.

É bem provável que você nunca sinta isso. Porque você pisa no chão, porque você é maduro, porque você é artista. E eu não sou nenhuma dessas coisas. Mas eu conheço a receita, eu sei das regras da sala de espera. Colocar a cabeça no travesseiro e suspirar se for o único tipo de respiração disponível no momento, mas jamais, jamais fazer o sinal da cruz nem rezar a oração profana do Vinicius de Moraes "Meu Deus, eu quero a mulher que passa (...)"




segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Wanderson

Tomava sombra embaixo de uma árvore de poesias engarrafadas quando um fruto-poema caiu na cabeça dele, numa queda tão bonita quanto a da maçã de Newton. Ele saboreou pela primeira vez:

- Quê..crrr...querê.. Crepúsculo!