domingo, 7 de outubro de 2012

narcisa II

Eu te amo também quando você vive todos os problemas do mundo pela tela do computador às onze e tanto da noite, lendo sobre o rumo da política na sua cidade com uma preocupação genuína e sonolenta ao mesmo tempo, mas perde o sono literalmente quando aparece uma barata no seu quarto e aí sim, a preocupação com a bancada evangélica, com a corrupção, com a demarcação das terras indígenas, tudo fica longe, longe, longe. Tem uma barata no seu quarto e essa é a sua questão, isso é mais grave e mais importante do que qualquer coisa. Agora mesmo tem gente nascendo, gente morrendo, gente trabalhando quando queria descansar. Você tem que acordar cedo amanhã. Mas não vai dormir porque tem uma barata no seu quarto.

narcisa

Você não sabe o quanto, no meu íntimo, eu fico maldizendo seus olhos quando você me faz passar vergonha. Como naquela sexta-feira que tinha tudo pra ser um dia feliz por ser sexta-feira e você começou a   pifar. Pegou chocolate na padaria e esqueceu o guardanapo, se lambuzou no ponto e lambeu os dedos e a boca de um jeito que pensando bem seria até meio sexy se fosse a Scarlett Johahsson comendo doce melequento enquanto esperava o ônibus, mas eu não preciso te lembrar que você não é a Scarlett e que também foi um horror você colocar aquele papel melecado de chocolate dentro do bolso da sua calça.  Pior mesmo foi quando você tirou o cartão de crédito da carteira com as suas mãos imundas de chocolate e bateu várias vezes pra liberar a catraca acreditando que fosse seu cartão de passe. Depois você conseguiu chegar ao Detran, mas não conseguiu renovar a carteira porque não tinha óculos e não consegue mais enxergar sozinha. Resolveu ir à Gráfica imprimir algumas coisas. Pegou senha, ficou na fila. Não tinha gravado os arquivos no pen drive. Tudo bem, na sexta passada você foi capaz de esquecer de olhar pra um dos lados em uma avenida e não foi atropelada por pouco e muita. Muita tranquilidade do motorista, que parou e buzinou.
Enfim, eu vim foi te dizer que tô com você até o fim, que não te largo antes do tempo. Que eu não desisto dessas suas pernas curtas, dessa sua cabeça distraída e desse seu coração besta nunquinha. Mas se você quiser parar de abusar da minha paciência tudo bem pra mim também.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

fica guardado aqui





Sei lá o que a gente encontra quando morre e entre todas as possibilidades acho pouco provável que tenha facebook por lá, mas mesmo assim vou mandar recado hoje. =P Um adeus pra um professor querido. Eu não curto despedidas, mas esse adeus é um tipo de suspiro e um tipo de desejo. 'Ah, deus! Puta falta de sacanagem levar essa cara.' e 'a deus pra cuidar com muito carinho'. Sei lá se tem deus, mas enfim. O que eu sei é que carinho era o sobrenome desse cara que é um dos melhores jornalistas que eu conheci e que cuidou de muitos alunos. Cuidou com carinho. Eu mesma nos meus dias de flor sensível fui regada com a meia gota d'água de dúvida com ternura que ele derramava na gente. 

Me disse pra fazer o tcc sobre cultura quando eu estava indecisa entre cultura e violência, não mal interprete o conselho. Ele me conhecia muito, mesmo com pouco contato, e me disse que eu seria boa jornalista de qualquer forma e que precisava ser feliz também, não precisava carregar o mundo nas costas.' - Ou não?'. 

Meu adeus pra você com esse seu sorriso de sempre e com Hey Jude, que seus conselhos sempre me lembraram essa música, professor. Vai tranquilo, Mario Ramires. http://www.youtube.com/watch?v=CfTrthOpKCA

sábado, 5 de maio de 2012

pra te lembrar


Cirando bem cirandinho.
cirando bem devagar
vou meia, mas volto inteira
que é pro tempo não pegar

visto anéis de vidro invisíveis
carrego primavera nos bolsos
mas se o amor acabar

faço o favor de entrar na roda
digo um verso bem bonito
digo
-adeus.

e vou-me embora.

_______________________

escrevi isso há umas décadas, quando a gente usava orkut e esbarrava no 'quem sou eu' de vez em quando.. 

terça-feira, 1 de maio de 2012